Era tudo um grande Círio de Nazaré, sabe? Uma espécie de procissão, um sacerdócio pelo prazer e pela arte. Os corpos suados, todos se apalpando, mas não estavam nem aí. Até porque estavam ali. Todos totalmente envolvidos pelo jogo. Os músculos trabalhavam, e cada ser humano conhecia o cansaço, conhecia a exaustão, mas também conhecia o êxtase. Eu sei, porque eu estava ali. Era um universo de pessoas, se amando, e trocando muito cebo e ceroto entre si. Trocando energia e paixão. E eu soube o quanto tudo aquilo era importante, quando fui erguido, e acreditem, amigos, durante alguns segundos, eu voei!
-De que servem tuas mãos?
-Servem para que eu arranque todas as tuas vísceras, as jogue de novo dentro de ti e te espere secar. E para onde te levam teus pés?
-Me levam ao céu, me levam ao infinito, me levam a níveis psicofísicos tão excitantes, que quando tento lembrar, lembro de mim e das estrelas.
Depois disso, eram os pés de volta no chão, e o corpo todo. E ela só sangrou depois da hora.
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